24/11/15 por Casimiro Perez

Há algumas semanas, abordamos o tema da igualdade de gêneros – como ele tem mostrado importantes avanços nos últimos dez anos, mas ainda temos um bom caminho a percorrer. Dessa vez, iremos analisar a situação de faixas etárias, com foco especial nas pessoas com mais de 55 anos. Para isso, usaremos alguns dados da pesquisa nacional Melhores Empresas GPTW de 2015:

Conheça as diferentes modalidades de pesquisa

A pesquisa de clima organizacional Trust Index© é a ferramenta mais abrangente do mundo para avaliar e classificar a percepção dos funcionários em relação ao ambiente em que trabalham.

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1. Pessoas com mais de 55 anos compõem apenas 2,4% da força de trabalho nas Melhores Empresas

Segundo dados do Censo 2010, a população com mais de 55 anos no Brasil era de pouco mais de 15%. Sabemos que a população brasileira passa por um processo de envelhecimento e, cinco anos depois, essa proporção certamente está um pouco maior. Ao apontar esse números, não estamos falando que 15% dos funcionários das empresas deveriam estar nessa faixa etária, mas a situação poderia ser melhor.

Nenhuma entre as 135 premiadas este ano atinge essa distribuição de 15%. Se baixarmos a régua para metade desse valor (portanto, 7,5%), apenas 5 empresas entram no grupo. Se diminuirmos ainda mais o valor para, digamos, 5%, 27 empresas (ou seja, apenas 20% do total) possuem essa distribuição etária. 

2. E as contratações de pessoas com mais de 55 anos atingem apenas metade desse número (1,2%) entre as 135 premiadas

Esse número apenas confirma o que já sabemos há muito tempo: é extremamente difícil para pessoas mais velhas se recolocarem no mercado de trabalho. Se permanecer empregado já é difícil, conseguir um novo emprego nessa idade é duas vezes pior, de acordo com os números. E isso é especialmente preocupante em um ano de crise como este, em que muitas empresas estão demitindo funcionários.

Isso é especialmente verdade para pessoas nessa faixa etária que não estão em cargo de liderança. Podemos ver isso analisando uma amostragem de respondentes da pesquisa GPTW: gestores e executivos sênior com mais de 55 anos representam 6,2% do total, um número cerca de 2,5x maior que a distribuição geral por idade.

3. O nível de confiança dessa faixa etária (88) é maior que qualquer outro

Em outras palavras, ao perder esses funcionários em detrimento dos mais jovens, as empresas estão perdendo os funcionários mais engajados, alinhados com os valores da organização e, consequentemente, mais capazes de produzir. 

E nem precisaríamos dos números para chegar a essa conclusão: essas pessoas sabem de tudo isso que estamos falando e que, portanto, seu trabalho está mais ameaçado que o de um funcionário mais jovem na mesma posição, e por isso, sabem que precisam fazer a diferença. 

Considere também que entre esse grupo, 22,4% dos funcionários possuem pós-graduação completa (o triplo da média geral), e portanto, pelo menos em termos de educação formal, também estão mais preparados. Perder funcionários com esse perfil não é uma boa ideia em um momento de crise econômica.

Um dilema para as empresas

Nos encontramos então, em um dilema para o qual não há uma solução fácil. Por um lado, o crescente e cada vez mais acelerado avanço tecnológico favorece a inclusão de jovens no mercado de trabalho, por estarem mais familiarizados com as novas tecnologias e possuírem, por isso, uma maior capacidade de adaptação.

Por outro lado, funcionários com mais de 55 anos possuem os maiores índices de confiança entre todos os grupos e, perdê-los pode ser altamente arriscado para a empresa. Mesmo entre as premiadas, ainda vemos pouquíssimas práticas voltadas para a recolocação desses colaboradores mais velhos nas empresas. E isso significa que temos profissionais altamente produtivos e qualificados sem emprego apenas por conta de sua idade – o que, pelo outro lado, também quer dizer que há uma oportunidade de ouro para empresas de adicionar esses profissionais em sua força de trabalho. 

Será que alguém irá aproveitá-la?

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