03/09/15 por Casimiro Perez

Por que Celebrar?

Ao conversar com Moacyr sobre a importância da prática Celebrar, ele me disse que o propósito da prática é dar significado a algo que a empresa considera importante. Não é apenas para descontrair o ambiente ou porque festejar é legal; o objetivo é o engajamento. Se os colaboradores estão engajados, todos ganham.

Participe da pesquisa GPTW!

Participe do processo das Melhores Empresas para Trabalhar e dê o primeiro passo para criar um melhor ambiente de trabalho e turbinar os resultados do negócio.

» Inscreva-se

 E não é só o faturamento que mostra isso. Por mais que dobrar o faturamento em 7 anos seja impressionante, essa não é a melhor parte da história: a empresa registrou um turnover voluntário de 0,75% em 2014, e a média de tempo de casa entre todos os funcionários é de 9 anos. Por mais que esses números por si pareçam espetaculares, eles se tornam quase irreais quando colocamos em contexto: estamos falando aqui de uma empresa de mineração! “Isso mantém o capital intelectual dentro de casa e agrega cada vez mais valor para a empresa”, diz Moacyr. 

A grande missão de Moacyr é fazer com que todos entendam que por trás de cada funcionário, existe um ser humano. “Precisamos saber que cada funcionário tem um plano de vida. E é responsabilidade da empresa ajudá-lo a transformar esse plano em realidade. Somos responsáveis pelo futuro dos colaboradores, especialmente em momentos de crise como o que estamos vivendo”.

E celebrar as conquistas é uma parte muito importante do processo, não só no trabalho como para qualquer aspecto da vida, pois ajuda a perceber e destacar o progresso alcançado; ajuda a enxergar que estamos andando para a frente – algo que deixamos passar frequentemente no ritmo acelerado dos tempos atuais.

Contudo, isso não quer dizer que toda hora é hora de festa na SAMA, ou que as pessoas não trabalham duro por lá. “Não queremos criar um mundo de fantasia. Muito pelo contrário, precisamos de colaboradores com capacidade crítica, capazes de melhorar a empresa. Um ambiente harmonioso e de baixa pressão não é sinônimo de falta de responsabilidade.”, explica Moacyr. A SAMA mantém uma abordagem de zero paternalismo em suas práticas, porque isso “tira o significado do emprego. O colaborador tem que querer retribuir para que esse modelo funcione.” 

“Os colaboradores têm a consciência que a base dessa cultura de confiança depende de um bom ambiente de trabalho. Como consequência, eles se empenham mais nos detalhes.” E Moacyr está certíssimo quanto a isso: há mais de 4 anos que não há ocorrência na SAMA de qualquer tipo de acidente que resultou em afastamento. 

As práticas Celebrar       

A primeira coisa que chama atenção ao ver as práticas Celebrar da SAMA é como, em muitos casos, a celebração não fica apenas na empresa, mas é feita em conjunto com toda a comunidade. Eventos como a Festa do Trabalhador, que reúne anualmente mais de dez mil pessoas, já faz parte do calendário de Minaçu, cidade com pouco mais de 30.000 habitantes onde a empresa está localizada. “Não são apenas os colaboradores que constituem a empresa; a comunidade em que ela está inserida também faz parte”, explica Moacyr.

Nesses eventos, a empresa busca dar o maior espaço possível para a comunidade de Minaçu. Por exemplo: no início, o evento de Natal contava com músicos de fora, mas no ano passado, a atração principal foram os alunos da escola de música que é 100% mantida pela empresa. 

Falando em Natal, outra prática que merece um destaque especial acontece nessa época do ano. Em vez de fazer como a maioria das empresas que buscam presentear os colaboradores e seus filhos dando o mesmo presente a todos, a SAMA opta por fazer algo diferente. Na época do Natal, na frente da empresa é montado um showroom com diversas opções de brinquedos. Os colaboradores levam seus filhos até lá para que eles escolham o presente que querem ganhar.

“Quanto dinheiro a mais a empresa gastou?”, questiona Moacyr. “Praticamente zero, mas os filhos dos funcionários ficaram muito mais felizes porque ganharam aquilo que queriam ganhar. Muitas vezes, não é a prática cultural que faz diferença, mas sim como ela é feita”.

“Toda ação de RH é um investimento, capaz de afetar diretamente os resultados da empresa”, ele continua. “E quando falamos em investimento, não estamos falando que precisa ser um financiamento em dinheiro”.

Muitas práticas da SAMA mostram isso: seja ao convidar a família para estar presente nos primeiros dias de um novo funcionário, planejar atividades em conjunto para pais e filhos na comemoração do Dia das Crianças ou fazer questão que seja o filho que entregue o presente da empresa para a mãe no Dia das Mães (e até gravar uma mensagem com aqueles que estão distante para exibir num telão durante o evento).

Quando Moacyr fala sobre a importância de como a prática deve ser feita, o que ele quer dizer está ilustrado por esses exemplos: para que ela seja efetiva e tenha valor para o funcionário, é preciso criar uma conexão emocional. E para isso, é preciso conhecer seus colaboradores.

Para finalizar, mais um exemplo de como essa é uma ferramenta incrivelmente poderosa. Toda vez em que há um recorde de produção na empresa, o trabalho é interrompido por 30 a 40 minutos para que todos os colaboradores possam comemorar. O resultado? Deixaremos que Moacyr responda: “toda vez – sem exceção – que fizemos isso, a produção no final daquele dia foi acima da média, mesmo com a interrupção do expediente. O colaborador quer retribuir quando fazemos coisas como essa.”

Dica do Profissional

2015.08.24 - Fala RH _ SAMA parte 1 - 2.jpgComo sempre fazemos aqui no Fala RH!, perguntamos ao Moacyr quais são os primeiros passos para tentar reproduzir o excepcional trabalho realizado na SAMA em outras empresas.

“O primeiro passo é olhar o colaborador como um ser humano completo, ele não é uma ferramenta; tem necessidades, expectativas e planos. Ele pode (e precisa) se tornar uma pessoa responsável pelo negócio.”

Um importante fator como já falamos no começo, é a alta direção da empresa entender que o RH é uma parte integrante e essencial do modelo de resultados de negócio da empresa. É o que ouvimos falar muito hoje em dia por aí como o RH Estratégico. “O RH deve ter autonomia, liberdade e participar ativamente do planejamento estratégico da empresa. Se não, não vai funcionar”, Moacyr alerta.

Outra dica é, caso a empresa ainda não tenha atingido esse grau de maturidade, que o RH saiba vender a ideia para seus superiores. “A alta direção sempre quer ouvir de números. Por isso, ao criar uma nova ação de RH, é importante mostrar o impacto com indicadores mensuráveis, mostrando a relação das métricas internas do RH (focadas em pessoas) com as metas da empresa (focadas mais no desempenho financeiro)”.

Dessa forma, o RH consegue conquistar o espaço, pouco a pouco, que precisa para realizar um trabalho como é feito em empresas como a SAMA. E os reconhecimentos e premiações (como o primeiro lugar na lista GPTW deste ano)chegarão como simples consequência de todo esse trabalho.

“A premiação não é o mais importante. O importante é criar e manter um bom ambiente de trabalho. Com isso sim, todos os envolvidos ganham. O maior valor que eu vejo no meu trabalho como profissional de RH é na verdade poder ver todos os dias o sentimento que os colaboradores têm em relação à SAMA”, finaliza Moacyr.

Conteúdos Relacionados